Quer dançar?
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Rodrigo Ferreira, quase desenhista e melomaníaco. Há alguns anos sendo um desastre.
É a fraqueza do homem que o torna sociável; são as nossas mi­sérias comuns que levam os nossos corações a interessar-se pela humanidade: não lhe deveríamos nada, se não fôssemos homens. Todos os afectos são indícios de insuficiência: se cada um de nós não tivesse necessidade dos outros, nunca pensaria em unir-se a eles. Assim, da nossa própria enfermidade, nasce a nossa frágil fe­licidade. Um ser verdadeiramente feliz é um ser solitário; só Deus goza de uma felicidade absoluta; mas qual de nós faz uma ideia do que isso seja? Se algum ser imperfeito se pudesse bastar a si mes­mo, de que desfrutaria ele, na nossa opinião? Estaria só, seria mi­serável. Não posso acreditar que aquele que não precisa de nada possa amar alguma coisa: não acredito que aquele que não ama na­da se possa sentir feliz.
— Jean-Jacques Rousseau. (via escandalos-p-o-e-t-i-c-o-s)
No meu armário guardo uma metralhadora de mágoas. Cazuza sempre me entendeu. Nunca haveria uma única chance de um dia te abandonar. Meus instintos mais hostis nunca permitiriam tal ousadia. Cada movimento meu sempre foi exclusivamente regido pelo desejo de te manter na mira dos meus holofotes, principalmente na minha cama, sob as minhas mãos rudes. Ah… minha doce menina que de tão doce amou a liberdade e encontrou com a sua própria loucura escrita em tailandês. Um tipo estranho, estrangeiro, rapaz corpulento de poucas palavras, mas com coragem de lhe arrancar de mim. Desculpe a ruidez da alma, o calar da noite, o medo das esquinas vazias, o pensamento do transeunte bêbado após o tiro que acertou em cheio teu coração. Eu me transformei numa espécime de homem-bomba, poeta inútil e demente. Minha mente doentia chegou ao seu apogeu. Naquela noite eu fui guiado por cada partícula, átomo e hemoglobina do teu sangue que fervia na presença daquele rapaz. Você precisa me entender. Eu nunca fui homem de meias palavras e fui atingido por um míssil teleguiado de fúria e traição. Sou uma criatura perturbada pelo fato coexistir sem nenhuma resistência. E como coexistir sem a tua presença? Te matei nas vésperas do teu aniversário no bar do Seu Nireu. Hoje, teu presente é a minha morte.
Elisa Bartlett   (via oxigenio-dapalavra)
Ninguém cria as guerras, elas já moram nos olhos dos que as executam.
— Sam Nascimento, La vida passe.  (via oxigenio-dapalavra)
Me recordo de cada flor que veio à tona só porque tive coragem de cuidar da semente. Só porque não me acovardei, mesmo que tantas vezes com todo medo do mundo.
Ana Jácomo.    (via torporizar)
Vocês sabem, quando se passa muitas horas, muitos anos fingindo ser uma pessoa que não se é, bem, isso pode nos causar alguma coisa. Já é duro bastante tentar ser a gente mesmo. Pensem em tentar muito ser alguém que não se é. E depois ser outra pessoa que tampouco se é.
Charles Bukowski (via abortei-o-ceu)
Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não da pra ser tão preciso e seletivo. Quando você estraga a parte da vida de alguém, você estraga a vida toda dessa pessoa. Tudo… é afetado.
Os 13 Porquês (via abortei-o-ceu)
Entre um abismo e outro há você, há sua voz me dizendo coisas engraçadas e textos românticos, há a dor de se estar sozinho entre milhares de pessoas, há o fôlego que ainda não foi recuperado. Entre um abismo e outro há suas mãos me pedindo para voltar e tentar tudo outra vez, como se o amor precisasse de voltas. Baby, o amor nunca vai embora, o amor nunca abadona o barco, o amor nunca sai de cena. O amor verdadeiro só vai até à esquina e vendo a impossibilidade de felicidade, ele volta. O amor só sai do barco se for para conhecer o mar porque a liberdade é um sentimento livre, mas ele também volta. O amor verdadeiro nunca sai de cena porque o drama ainda não terminou. Você entende? Entre um abismo e outro eu avistei você e foi como ter todas as sensações ao mesmo tempo, como se a dor e a alegria fossem uma só, como se amor e qualquer-outra-coisa não superassem a visão embaçada e incrível de toda a minha vida: you, you, you.
Igor Pires, you.  (via abortei-o-ceu)
A morte é uma coisa estranha não é? Alguém passa a vida inteira com você, está respirando, está presente, e de repente vai embora.
Bates Motel  (via abortei-o-ceu)

MGMT, 2005, 2007, 2010

insideflesh:

blackout (II)

insideflesh:

blackout (II)

Todas as dores também são alívios. O peito que arde devido à sangria, também respira melhor devido o buraco aberto pela navalha. Sentir o riso de um passarinho e o gosto do choro de um cachorro abandonado é arrebatador. Perceber que a natureza só nos consome e nos desgasta e que definhamos como raízes podres de uma laranjeira já desfolhada. Somos água e ainda precisamos bebê-la despoluída, não há filtro dentro de nós. Retemos palavras que não são esquecíveis devido ao peso de molestarem nosso perdão, remoemo-las com o triturador dentário que possuímos. A ferocidade é um desastre inativo até ser incitado, até ser libertado por animais selvagens que vivem sob nossa pele cabeluda. Cada lágrima sem choro é um desperdício de forças musculares natas. A careta do choro é a decaída de máscaras espelhadas e sorrisos de maquiagem. O silêncio ao qual nos fincamos é o vínculo mais familiar com qualquer outro de nossa espécie, nosso parentesco é medido pelos graus de mudez. Somos maleáveis até no nome assim como nossas dores de barro, porque o que é desfeito num átimo pode ser refeito na próxima sequência respiratória e lamentos podem ser engolidos. Portanto, toda dor também é alívio, pois enquanto o cão chora e o periquito ri não há espaço para tristezas brevemente inesquecíveis.
— Gilberto Cunha Júnior (via doador)
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